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A inexatidão dos stocks: um problema estrutural do retail e da supply chain

A inexatidão dos stocks não é uma anomalia rara descoberta uma vez por ano durante o inventário. O estudo publicado no Journal of Operations Management em 2015 descreve-a como um problema disseminado no retail, capaz de degradar lucros, decisões de reaprovisionamento e disponibilidade de produto. Os autores mostram sobretudo que o problema vem da interação entre perdas, processos, mão de obra e sistemas, não de um simples erro isolado.

51–65 %

dos registos de stock eram inexatos em vários estudos de retail citados pelos autores

5 lojas

de uma cadeia retail mundial analisadas para medir a ligação entre disponibilidade de mão de obra e inexatidão

Um problema documentado em grande escala

O artigo de Chuang e Oliva, publicado no Journal of Operations Management, define Inventory Record Inaccuracy como o desvio entre o stock físico e o stock registado no sistema. Os autores recordam que vários trabalhos anteriores observaram níveis elevados de inexatidão: 51 % de precisão média num caso de grande distribuição, 65 % de fichas de stock inexatas numa cadeia retail e mais de 60 % dos SKU afetados numa loja europeia. Estes números explicam porque a inexatidão deve ser tratada como um fenómeno recorrente de gestão.

As causas raiz não são todas equivalentes

O estudo distingue vários erros operacionais: perdas em reserva, perdas em loja, erros de caixa, erros de registo e problemas de reposição em prateleira. A simulação mostra que as perdas em reserva e em loja são os motores dominantes da inexatidão, enquanto alguns erros de introdução ou reposição têm um efeito mais limitado no modelo testado. A mensagem operacional é importante: corrigir stock exige identificar as fontes que pesam realmente no ambiente em causa.

A mão de obra influencia a qualidade dos dados

Os autores analisam também dados longitudinais de cinco lojas de uma cadeia mundial. O resultado é nuançado: a disponibilidade de pessoal a tempo inteiro contribui para reduzir a inexatidão, enquanto o recurso a tempo parcial não produz o mesmo efeito. Isto sugere que experiência, continuidade operacional e domínio dos procedimentos desempenham um papel direto na fiabilidade dos dados de stock.

Porque o problema se torna estrutural

A inexatidão cria uma retroação: quanto mais errado está o stock no sistema, mais tempo as equipas perdem a procurar, verificar, corrigir e responder a ruturas aparentes. Esta pressão de trabalho aumenta depois o risco de novos erros. Mesmo que o estudo indique que esta dinâmica nem sempre basta para produzir uma explosão automática do problema, mostra que práticas correntes podem manter duradouramente o desvio entre sistema e realidade.

A inexatidão dos stocks é um resultado previsível de processos expostos a perdas, erros e desvios de sincronização. A resposta certa não é apenas recontar mais vezes, mas reduzir as fontes de desvio em cada movimento: receção, arrumação, picking, venda, devolução e correção. É precisamente esse o papel de um sistema que impõe validação fiável, em tempo real, junto da operação física.

Síntese original redigida a partir da pré-visualização ScienceDirect do artigo « Inventory record inaccuracy: Causes and labor effects » de Chuang e Oliva, publicado no Journal of Operations Management em 2015. A fonte está protegida por copyright Elsevier; nenhum excerto longo é reproduzido e o texto completo deve ser consultado através da ligação original.

Fontes originais

  • 1

    Inventory record inaccuracy: Causes and labor effects

    Howard Hao-Chun Chuang, Rogelio Oliva, Journal of Operations Management, 2015

    Ver artigo original

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